quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Confronto: refletindo sobre Missão Integral

Nestas semanas estou lecionando sobre Missão Integral. Apesar das diversas palestras que ministrei a respeito de Missões, desta vez estou me aprofundando melhor na integralidade da missão da Igreja. Confesso que tem sido dias de crise,  por ter me deparado comigo mesma, com meus valores e minhas convicções.

Em primeiro lugar tenho sido desafiada a entender o que é Missões. Quando pensamos em missões, pensamos no ato de evangelismo, na ação, mas pouco refletimos sobre o conteúdo dessa missão, onde na verdade somos apenas colaboradores, que se inicia na vontade soberana de Deus e se desdobra em seu projeto para salvação do homem.

Isso significa que todos temos parte nesta Missão, e que nosso objetivo mor deveria cumprir esse chamado que não é privilégio de poucos, mas que faz parte de quem entende sua salvação em Cristo. Que devemos prestar contas de nosso trabalho à Deus e não nos preocupar com números e imposições dada por homens.

Em segundo lugar, foi me dado um novo paradigma da minha função dentro dessa missão. Se a missão é de Deus, devo não apenas pregar de acordo com ela (missão) mas viver meu cristianismo de acordo com as palavras de Cristo. Isto é, a missão só pode ser eficaz se com meus atos eu conseguir demonstrar ao mundo o que é servir a Cristo, e o que Cristo está disposto a fazer pela humanidade.

Isso revela que muitas vezes pregamos o evangelho de forma contextualizada, mas não de uma forma boa, e sim em um contexto próprio, de razões próprias, de convicções próprias. Quando na verdade o evangelho não é voltado para o homem, mas para Deus. O evangelho foca no pecado do homem, sua pequenez e sua natureza perdida, e mostra que a única saída dessa vida é o relacionamento com Cristo.

Não há como fazer missões sem focar na solução para o homem, não soluções mundanas e financeiras, mas soluções de vida eterna. E não há como focar na solução de vida eterna, “endeuzando” as coisas terrenas, e priorizando soluções materiais. A Missão de Deus deve ser feita através Dele,  e para Ele.

Em terceiro lugar, fui confrontada com meu cristianismo e a realidade do que eu creio. Esse é o ponto mais expressivo desta reflexão. Pois se compreendemos que as coisas terrenas não são tão importantes, e que eu devo viver a missão de Cristo, não devo me envolver com as coisas desse mundo.

Impossível? Então não cremos no Senhor da Missão. Eis aí o confronto. Encarar a dura realidade de que a tecnologia e o consumismo tomaram conta de mim. Saber que a vida que levo não reproduz a missão de Cristo. Que aquilo que tenho por “bem” não deveria ter nenhum valor para mim. Parece utópico, mas é justamente por isso que estou refletindo.

A Missão de Cristo nos ensina a dividir, a não nos apegar a bens, a viver em prol do Reino e para o Reino. As vezes nos sentimos superior pelo pouco que fazemos e pelo pouco que ajudamos. Por não acreditar na Teologia da Prosperidade, não dar todo o dinheiro na igreja. Mas em que acreditamos de verdade? Damos o nosso tudo, ou apenas o que não faz falta?

Desfrutamos, no nosso dia a dia, de bens que outros jamais sonharam em ter. Aproveitamos nossos luxos e bens tecnológicos, usamos roupas caras e bonitas, e curtimos todo tipo de iguarias gostosas. Mas se analisarmos a missão integral da igreja aprenderemos que devíamos partilhar tudo como em Atos.

Em quarto lugar, deparei-me com o pior do meu ser que é estar apegada a tudo isso de forma a acreditar que não é tão fácil, e nem mesmo possível, se desvencilhar de todo esse conforto. Isso porque essa seria a única forma de se fazer uma revolução real, e de se ter alguma diferença entre os do Reino e os que ainda estão perdidos em pecados.

É por isso que nossas igrejas tem estado lotadas de pessoas com depressão. Pois mesmo sabendo que não há nada nesse mundo que nos preencha e nos deixe feliz quanto a presença de Deus, mesmo sabendo que o vazio do homem só pode ser preenchido pelo amor do Pai e de seu Filho, ainda assim corremos atrás do vento, em busca de coisas inalcançáveis, e ainda passamos a crer que o evangelho é utópico.

Eu não estou disposta a viver exclusivamente do evangelho. Eu não creio que é possível viver uma revolução através de mim. Eu não creio que o evangelho basta como modo de vida. Eu não creio que os ensinamentos de Cristo são suficiente para se viver intensamente o que realmente importa. Eu não creio. Porque se eu acreditasse eu viveria de forma diferente.


Coitada de mim, pobre e pecadora mulher que sou. Porque estou longe de viver o que pensava acreditar que vivia. Porque nem sei como fazer e por onde começar. Porque estou perdida em minhas ilusões, e caminho atrás do vento, esperando atitudes de pessoas que jamais acontecerão. E esperando coisas que jamais serão alcançadas. So espero que haja salvação para minha perdição.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Refletindo: uma voz muda


“...um só corpo, um só Espírito... um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai...” (Efésios 4:4-6)

Tenho visto nesses últimos dias os cristãos dividindo suas opiniões referente a pessoas, religião, e ideologia de vida. E então não teve como eu fugir de um questionamento básico: se temos apenas um só Deus, um só Senhor, se não vivemos mais, mas Cristo está vivendo em nós, e se sua palavra é única, porque então há tantas divisões?

Claro que estou acostumada com divisões teológicas que apesar de terem vertentes bem distintas não afetam a fé em Cristo e nem as promessas do Senhor das quais pelo seu infinito favor iremos desfrutar. Também estou acostumada com as diferenças culturais e costumes que cada igreja adota de acordo com seu entendimento de consagração à Deus.

Todas essas diferenças são supostamente tiradas da bíblia, mas sabemos que no “final das contas” é apenas espelho da realidade cultural e teológica de cada igreja. Porem com questões claramente expostas pelo Nosso Deus através da bíblia, palavras simples e claras, não deveria haver questionamentos e diferenças de opinião. Deveria apenas haver concordância e obediência.

Muito tem se falado, e pouco tem sido aproveitado. Isso porque falamos de nós mesmos, de nossos desejos e de nossas vontades. Não agimos como embaixadores de Cristo. Pode um embaixador falar seu próprio ponto de vista, ou deve ele levar a mensagem do Reino ao qual pertence? Temos alguma duvida disso?

Há uma voz muda no meio de nós, mas o pior disso é que essas vozes se levantam para abafar a voz de quem realmente está disposto a se levantar e clamar em favor de seu Senhor. Há uma voz própria no meio de nós, que fala de si mesmo e critica quem fala em nome de Cristo. Há uma voz muda entre nós, que canta o que não vive e proclama blasfêmias a quem busca santificação.

Qual é o intuito de se chegar até a cruz, se não enxergar nossos pecados e se arrepender profundamente deles? Muito tem se falado do amor de Deus, mas de que adianta conhecer o amor de Deus e não conhecer sua cruz? Será que isso teria algum efeito no mundo além morte? E como proclamar a cruz de Cristo sem denunciar pecados?

Eu não consigo separar essas três palavras: amor, cruz, perdão. Pois se não compreendermos que a ação do amor de Deus se revela através da cruz, e essa cruz só faz sentido se houver arrependimento para perdão dos pecados, e só há perdão se houver pecado, não temos um evangelho eficaz para ser pregado. Não estamos crendo de verdade em Cristo e sua obra redentora.

O amor de Cristo por nós, nos é revelado quando enxergamos que somos sujos como a lama, que nossos atos são egoístas, que nossos desejos são carnais, e que nossa vida é vã e vazia. Enquanto não reconhecemos isso, achamos que nossa vida é boa e não precisamos de Deus e sua graça. Não precisamos lavar nossas vestes no sangue do Cordeiro. E não precisamos clamar ou proclamar a nova aliança.

Ao contrario do que muitos pensam, isso não deve acontecer como um milagre sem intermediários. Deve ser pregado, proclamado, anunciado, para que as pessoas possam enxergar sua condição e desejar a Cristo. Essa é nossa função, esse é o nosso chamado. Apregoar um evangelho, não de portas largas, mas de remissão, renuncia, e entrega do seu ser. (Marcos 16:15-16)

A história de Jonas é o melhor exemplo bíblico da eficácia da pregação verdadeira sobre o juízo de Deus. Apesar da resistência de Jonas e de sua incredulidade, quando ele cumpriu com seu chamado, e pregou a verdade que lhe foi confiada, o poder de Deus se manifestou e inundou os corações de arrependimento e contrição. E uma nova historia foi escrita no meio daquele povo.

“Uma nova história Deus tem pra mim”, muitos cantam. Mas quantos se arrependem para viver uma nova história verdadeira em Cristo Jesus? Quando ignoramos nossos erros, e os erros de quem amamos, estamos preferindo o pecado e desprezando a obra na Cruz. Estamos fazendo de Cristo uma parábola e de sua salvação uma grande fábula.

“De fato não seguimos fabulas engenhosamente inventadas, quando falamos a vocês a respeito do poder da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; ao contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade” (2 Pedro 1:16)

Será que realmente acreditamos no evangelho que lemos, ou criamos um evangelho próprio por conveniência? Anunciamos Cristo a pecadores, ou ignoramos seus pecados? Além de não proclamarmos o evangelho verdadeiro, ainda criticamos e acusamos os profetas que se levantam e cumprem o chamado de Deus no meio de nós.

Um psicólogo, pastor, com recursos financeiros próprios, que se levanta em meio a uma geração pecaminosa e incrédula e denuncia os seus pecados; não tem o apoio da própria igreja. E ainda é criticado e descredenciado na frente de pessoas que estão exatamente na condição de receber essa verdade.  

Se todos aqueles que amam a Cristo, se levantasse e proclamasse o verdadeiro evangelho enfrentando o senhor deste século, tirando o mundanismo de suas vidas, morrendo para que Cristo vivesse através de nós, como não estaria esse mundo? Não seria ele impactado pelo poder e gloria do Senhor?

Muitos passam a vida esperando que Deus se revele a seus amigos e familiares. Mas se esquecem que a ação de Cristo se manifesta através de mim e de você, e que a gloria Dele deve se manifestar onde eu e você estamos. Por que ele escolheu que seria assim, e isso nos é uma dádiva e não um fardo.

“E quem não toma a sua cruz, e não me segue, não é digno de mim” (Mateus 10:38)

Uma voz muda de nada tem falado. Um povo escolhido nada tem pregado. Uma nação santa nada tem manifestado. O verdadeiro avivamento só acontece quando a realidade do homem é desnuda e o mover do Espirito age através de corações contritos e arrependidos. E o Pai vem com vestes brancas, e conduz por um novo caminho, para a verdadeira “nova história”.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Refletindo: não devem os pastores apascentar as ovelhas?



“Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza, e dize aos pastores: Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não devem os pastores apascentar as ovelhas?” (Ezequiel 34:2)


Na época de Jesus, nas regiões onde cresceu e propagou seu ministério, o pastoreado era uma atividade muito conhecida e exercida. E apesar de estar fora de nossa realidade atual, sabemos bem que um pastor existe para cuidar de suas ovelhas. E o que é cuidar, senão alimentar, lavar, curar possíveis doenças, suprir necessidades, e estar sempre por perto para que não se percam.

Com essa breve informação, tentaremos fazer a ligação entre os pastores de ovelhas, e os pastores de igreja. Nos dicionários a palavra pastor tem como um de seus significados o ministro ou sacerdote protestante. Isso significa que as pessoas, mesmo fora do cristianismo, compreende que a palavra pastor está ligada a uma liderança cristã. Sendo assim podemos fazer essa relação entre a palavra em seu significado real e o usado no cristianismo.

Seguindo essa linhagem podemos compreender que o pastor da igreja deve zelar, não somente pelo templo, mas primordialmente pela saúde espiritual de seus membros. Deve estar à frente do rebanho como referencial de postura e caráter, mostrando com sua própria vida o caminho que um cristão autêntico deve seguir. E nessa trajetória estar atento à qualquer ovelha que queira se desgarrar do rebanho.

Quando um pastor aceita o chamado pastoral, se compromete perante Deus e a sociedade que cumprirá de forma excelente tal responsabilidade. Entende que Suas decisões não podem mais se resumir a suas próprias razões e opiniões, mas que a partir dali tudo o que disser, fizer e agir, terá de ser da forma como Jesus nos ensinou. Ele assume um papel ímpar na vida das pessoas e passa a escrever uma nova história a partir de então.

“E estes cães (líderes) são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte.” (Isaías 56:11)

Suas preocupações devem ser maiores que cadeiras confortáveis e ares condicionados refrescando o templo. Não deve se concentrar na quantidade de pessoas que comparecem ao culto, mas sim quantas delas têm vivido um evangelho autêntico. Deve estar presente na vida das pessoas, e fazer parte delas. Deve estar disposto a limpar feridas, guerrear batalhas , orar junto, chorar junto. 

Deve ser um pouco terapeuta, ter um pouco de assistência social, e tudo de um bom mestre. Deve ser pai e irmão, amigo e professor, mas acima de tudo ser maduro para poder ouvir com sabedoria, e corrigir em amor.  Deve ser humilde e jamais se dar por satisfeito, pois sempre tem algo mais que um pastor pode fazer. Parece injusto, mas na realidade é o preço do chamado.

“Porque os pastores do meu povo perderam a razão e não procuram saber o que Deus pensa. Por isso não prosperaram, e todos os seus rebanhos se espalharam.” (Jeremias 10:21)


Quando um pastor já não está aberto a ter alguém que fale em sua vida, quando acha que não precisa dar satisfação de suas decisões aos membros da igreja, ou que ele está sempre certo e não aceita quem diga o contrário, encontramos, então, um sério problema: ele com certeza está perdendo ou já perdeu o foco do seu pastoreado. Ele em algum momento se esqueceu do verdadeiro significado da palavra pastor.

Há diversidade de dons, e diversidade de ações. Cada um deve assumir sua função no corpo. E hoje a igreja perdeu sua identidade real e cristã pois seus líderes já não sabem mais o que devem fazer. Suas ações são soberbas, e agem como donos da igreja, comandam os membros como se fossem bonecos que não possuem sentimentos, e os líderes como funcionários. E não se sentem responsáveis pelas crises e recaídas das pessoas.

Lavam as mãos, como Pilatos, e acreditam que já fizeram o suficiente, quando na verdade não fazem nem o essencial. Deixam situações mal resolvidas e feridas putrificando, para não terem o infortúnio do confronto. Tudo isso obra de satanás. Num exército, cada um tem sua posição e função. Quando se abre brecha, o inimigo ganha vantagem. O amor de Deus só é manifestado completamente quando a batalha sobre o pecado é vencida.

“...fere o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas...” (Zc 13:7b)


Porem faltam referenciais, faltam caráter, faltam relacionamentos. E isso gera falsos mestres, falsas obras, falso cristianismo. Se ferir o pastor, as ovelhas se dispersam. Essa tem sido a estratégia do inimigo. Desviar a atenção para outras prioridades que não sejam os membros da igreja. Fazer com que pastores e líderes não tenham um vinculo profundo de relacionamento. Não deixar que haja liberdade para se conversar sobre tudo, e resolver todas as questões pendentes.

Mudou-se o foco. Não importa mais a pessoa, mas se ela esta fazendo algo. Não importa mais a qualidade, mas sim a quantidade. Não importa mais a família, mas as atividades da igreja. As pessoas são valorizadas pelo que têm para dar, e não pelo seu testemunho e seus frutos. E essa afirmativa é comprovada quando vemos as cobranças excessivas, e a busca por novas igrejas (e não membros, como deveria ser)

Vemos ainda, pastores focados em ações sociais, na desculpa de que estão cumprindo com o evangelho de ação. Quando na verdade se refugiam em boas ações para não se comprometerem com o rebanho que lhes foi confiado. Justificam suas ações de dar ao próximo, ao invés de cuidar de verdade do próximo. Pois por mais que eu creia e concorde com a Missão Integral, ela não deve ser feita para remissão dos erros, pois para isso o sangue de Cristo já foi vertido na cruz.

Ela deve ser o reflexo de uma igreja sadia e comprometida com o Reino. A missão integral é o coração do evangelho, mas faze-la não exime o homem cristão (seja líder, pastor, apostolo, etc) de ter um casamento de acordo com as regras divinas, de se ter um caráter aprovado, e de se ser e agir conforme alguém que realmente acredita nos ensinamentos de seu Mestre. Ela deve ser feita por amor à Deus, e não pela frustração de suas decisões anteriores.

Que haja um despertar. Que haja um avivamento. Que haja choro e arrependimento. Que Deus toque o coração de muitos pastores, para que abandonem suas obras egoístas, e se dediquem aos membros que têm andado como ovelhas desgarradas que não tem pastores. Que a misericórdia seja derramada, e que o poder do Espirito levante verdadeiros pastores no meio de nós!

“E dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com ciência e com inteligência.” (Jeremias 3:15)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Refletindo... louvor, adoração?


Tenho refletido na adoração através do louvor. Sim, há vários tipos de manifestação de nossa adoração: oferta, leitura bíblica, danças, generosidade para com o necessitado, mordomia, diaconia, etc. E o louvor (cânticos e instrumentos) é apenas uma dessas formas. E por ser uma adoração visível é muito desejada, mas também muito negligenciada.

Muitos pensam que por serem músicos e cantores já são credenciados a ministrar louvor. Muitos veem a ministração como “apresentação”. E por acreditarem nisso não se abrem ao mover que Deus deseja através da musica. Não se dedicam à palavra e à oração na mesma proporção que se dedicam à musica. Não se convencem da necessidade de santificação e renuncia, pois se concentram em seus próprios talentos. Isso é um erro clássico e mundano. Quando um cantor ou um instrumentista se converte, muitos lideres já os consideram prontos por seus atributos naturais, porem um musico na condição de cristão, passa a ser antes de tudo obreiro e servo do Senhor, sendo assim é necessário que ele seja provado e aprovado para obra.

Os lideres que permitem tal coisa, não compreendem a luta espiritual que ronda um servo de Deus. Por isso Paulo já alertava em 1 Timoteo 3:6 “... não deveria ser um novato na fé, pois poderia ficar orgulhoso. E o orgulho produz vários outros sentimentos dentro do homem, e esses sentimentos geram atitudes que prejudicam o bom andamento da obra, nesse caso da equipe geral. O líder no intuito de manter esse músico na igreja, acaba por empurra-lo para o boca do abismo. Pois quando vierem as lutas esses obreiros não estarão revestidos da armadura de Deus e acabam por desistirem de seu posto, e muitos se lançam no abismo.

Outros não veem as coisas acontecerem como gostariam. Desejam que quando cantarem ou tocarem o céu desça e a fumaça da presença de Deus se manifeste. Esse é um desejo legitimo, porem é necessário que se compreenda que a presença do Senhor se manifesta quando Ele quer e não quando nós precisamos mostrar que somos bons o suficiente para Ele operar. Nossa função é buscar em nosso dia a dia a presença dele através de oração, adoração, leitura bíblica e generosidade. E buscar em sua palavra verdades para se viver. E viver de acordo como Cristo andou. E assim não adorar a Deus apenas no culto, mas adorar a Deus intensamente em espirito e verdade, todos os momentos de nossa vida.

Um ministro de louvor está ali para ensinar o povo a se achegar à Deus através da musica. Ele tem que se colocar em uma posição de servo, tem que ser exemplo e referencial. Uma das coisas que mais me incomodam na atualidade é o exagero de palavras ditas (e não cantadas) durante o louvor. Percebo que só é necessário o “cantor” falar porque ele não está adorando como deveria. O louvor é direcionado à Deus e não aos homens. As musicas devem engrandecer o nome de Cristo e não massagear o ego da plateia. Isso porque não existe plateia, e nem expectadores. No momento do louvor todos devem estar com seus olhos, ouvidos, mente e corações voltados para o Grande Eu Sou. Inclusive (e principalmente) a equipe de louvor.

Quando a equipe de louvor faz o que tem que fazer, adorar a Deus tão intensamente, cria um ambiente propicio de adoração que constrange quem não quer adorar, constrange o pecador que não queria se arrepender, constrange aquele que não olhava para Deus desde o ultimo culto. É dessa forma que a equipe serve à igreja, adorando a Deus e se tornando referencial de adoração. Porem os ministros ao invés de olhar para Cristo, olham apenas para as pessoas, que por sua vez estão olhando para os ministros e aí o “cantor” começa a falar. E fala ao povo e não à Deus. Começa a dizer “faça isso e faça aquilo”, e ate quem estava adorando é interrompido por palavras, sendo que a adoração deve ser espontânea e vir do coração.

Se o ministro sentir vontade de falar, que fale à Deus, que fale de si e de seu sentimento intenso pelo Senhor. Por que palavras podem gerar emoções, e emoções são passageiras. Mas uma verdadeira adoração leva o ser humano a reconhecer sua posição diante de Deus. A verdadeira adoração gera vida, gera mudança, gera intimidade. Durante o momento do louvor a banda deve estar diante do Rei, fazendo uma apresentação única, entregando à Ele seu dom, todos em harmonia, honrando o único Deus que é digno, pois não há outro como Ele. Nem tudo que é visível é verdadeiro. O que se vê pode ser forjado por emoções. Mas quando a adoração é verdadeira, a presença de Deus é real.

Percebi que os mesmos ministros que ficam implorando às pessoas que cantem, se rendam, se prostrem, que levantem as mãos e se entreguem, são os mesmos ministros que quando não estão na “plataforma” não fazem nada disso. Quando não são eles tocando e cantando, não se entregam a uma atmosfera de adoração, não se preocupam em adorar a Deus, porque a atenção não está neles. E é por isso que precisam falar, porque na realidade não sabem adorar. Não sabem ensinar com sua própria vida. Sabem de palavras, mas sua postura não é imitável. Já dizia Jesus: Obedeçam ao que eles dizem, mas não sigam o exemplo deles. Porque eles não fazem o que mandam vocês fazerem (Mateus 23:3). Tudo começa dentro de si. Porque quando você adorar, as pessoas entenderão que não lhes resta nada além de adorar também.

Eu amo musica, amo a sinfonia dos instrumentos e a beleza dos sons em harmonia. Mas em termos de ministério as vezes basta uma voz e um violão. Melhor é ter todos os instrumentistas fazendo parte da equipe, mas devemos priorizar o ministério. Há de se gastar tempo em ensaios, mas também há de se gastar tempo de ensino, de discipulado, de acompanhamento. Há de se tornarem verdadeira equipe orando e jejuando uns pelos outros. Há de chegarem para ensaiar com ressalvas a respeito da palavra que leram durante a semana. Há de se ter a fumaça da presença de Deus nos ensaios, pois aí saberemos que não precisa ter expectadores para que venhamos mostrar nossa adoração à Deus.

Paz e bem.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Refletindo... Deus quer me ver feliz?

Acredito que satanás, muitas vezes de forma bem sutil, pega uma verdade bíblica e a transforma em algo enganoso, como ele mesmo o é. E quando penso nisso, consigo imaginar que o que acontece hoje não é muito diferente da conversa da serpente com Eva em gênesis 3:4, “Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.“ (Gn 3:4). Com Eva a serpente (diga-se satanás) lançou a duvida, e nos dias de hoje a certeza de coisas que Deus não sonhou para nós.


Desta forma uma reflexão surge em meus pensamentos: “Deus quer me ver feliz?”. Claro que sim disso eu não tenho duvida. Em quase todas as minhas postagens tenho falado do padrão de Deus e dos nossos. Da nossa forma de ver as coisas, que é completamente diferente dos conceitos divino sobre nossas concepções. E nessa reflexão não consigo pensar diferente disso. Por isso acredito que a enganação paira sobre os pensamentos do crente quando ele afirma essa frase.


A frase: “Deus quer me ver feliz”, é hoje usada para justificar toda sorte de pecado e decisões que não condizem com a conduta cristã. Os casais a usam para justificar suas separações, os homossexuais a usam para manter a relação pecaminosa mesmo depois de conhecer a palavra verdadeira e a salvação em Cristo, os jovens fazem dela amuleto para não mudarem o rumo de suas vidas e ainda para desobedecer aos pais, e assim vai longe a lista.


Quem nunca ouviu essa frase quando confrontava um pecado em aconselhamento? Hoje o cristão quer viver o evangelho sem renunciar suas paixões. Isso não existe. Não existe cristianismo sem renuncias, e não se encontra a santificação sem se vencer a carne e o mundo. As pessoas querem um evangelho que lhes renda algo, que as façam satisfeitas no que tange finanças e bens materiais. Um evangelho que as façam felizes em seus desejos humanos.

Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.Lucas 16:13


É incrível como as pessoas falam em felicidade e liberdade cristã, como se pudessem viver o que desejam. Sendo que a nossa liberdade está em optar ser servo do Deus vivo. A nossa liberdade consiste em assumir o dom e o ministério que Deus nos dá, e cumprir o seu chamado, que é no mínimo, para todos, de anunciar Sua palavra. E daí tem que vir a nossa verdadeira felicidade. Agradar a Deus e cumprir o seu chamado, essa tem que ser a verdadeira felicidade do crente.

E isso implica em renunciar seus desejos, suas paixões, muitas vezes os seus sonhos e projetos. Implica em se manter casado e realmente fazer a sua parte para que de certo. É assumir que seu desejo pela pessoa do mesmo sexo não é algo genuíno da parte do Senhor, e então decidir ser “eunuco”, é entender que Deus é dono da prata e do ouro, mas não foi para te dar essas riquezas que Ele morreu na cruz.

Fico abismada como hoje a felicidade de muitos está em adquirir bens. A de outros em viver as paixões da carne. E de outros em títulos e poder concedidos por homens. Isso nada tem a ver com o evangelho. O evangelho fala de largar tudo e seguir a Cristo (Lc 5:11), de passar fome e necessidade (Fp 4:12), de ter apenas o necessário para se viver (Mt 10:9-10), de negar a si mesmo e viver uma vida de cruz (Mc 8:34-35). Mas que cruz? Infelizmente a cruz não esta inserida nas pregações de hoje em dia.

O Evangelho também é de se entregar ao próximo, de ajuda-lo, de ser útil. É um evangelho de doação, de amor, de não preocupar-se consigo mesmo, mas de abrir mão do que é seu para transferir a quem necessita. Nada do que temos é nosso. É como se o dono de tudo nos desse uma parte para administrarmos. E se o mundo tem estado em uma situação lastimável, a culpa é dos cristãos, que não administram corretamente aquilo que Deus nos deu.

Com isso poderíamos trocar então a frase “Deus quer me ver feliz” por: “Deus quer me ver na glória!” E se sem santificação ninguém verá a Deus (Hb 12:14), então ou mudamos nosso conceito de felicidade, e buscamos a santificação custe ela o preço que for necessário a nós; ou então seremos os mais felizes aqui na terra e pagaremos o preço da morte eterna com “choro e ranger de dentes” (Lc 13:28).


Tudo em nossas vidas é opção. E no grande dia seremos os únicos responsáveis por nosso atos, decisões e pela vida que tivemos (Mt 25:31-46). Deus quer nos ver feliz. Mas Ele também quer nos ver na gloria onde encontraremos a verdadeira felicidade. Pois aqui tudo é passageiro, daqui nada se leva e na verdade nada se aproveita. “
Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.“ (Mt 6:21). Que o nosso tesouro seja o Senhor Jesus. Que Ele seja tudo o que realmente importa para nós. Que Ele seja a nossa felicidade.

domingo, 15 de agosto de 2010

Refletindo sobre reconciliação...


Qual foi o principal ministério de Cristo? Para mim foi a da reconciliação. Sua vida, sua morte e sua ressurreição tiveram um objetivo: reconciliar o homem com Deus. Deixar a “glória” e vir a este mundo, sofrer e morrer por homens pecadores, ingratos, e ressuscitar para nos dar vida em abundancia, é uma obra completa e maravilhosa. O Pai ansiava tanto por essa reconciliação que enviou seu Filho Único, viu-o sofrer, ser humilhado e morrer! Mas Eles sabiam que era por um motivo, que para Eles, era o único que importava.

Desde a queda de Adão, Deus ansiava por essa reconciliação. Ansiava restaurar o seu relacionamento mais intimo com toda a humanidade, com todos os homens. Esse relacionamento é tão importante para Ele que não poderia ter sido um sacrifício menor que o de Cristo. O preço foi alto, porque a importância é de grande valia. Deus não criou o homem para se divertir, como alguns pensam, nem para o abandonar em seus desejos e paixões. Deus criou o homem porque desejava um relacionamento intimo e profundo, assim como ele tinha com Adão.

Adão foi o primeiro a errar o alvo. Ouviu seus desejos, e sua vontade, acreditou que poderia tomar suas próprias decisões, e achou pesado demais esperar e depender do Pai. Se não fosse ele, seria qualquer um de nós. O nosso livre arbítrio nos leva sempre à independência do Pai. Mas olhar para Cristo sempre nos leva aos braços desse Pai amoroso, perdoador e restaurador. Quem aceita esse sacrifício de Cristo, reconhece que é pecador e que precisa da cruz para se reconciliar com Deus, passa a viver uma nova vida. A única vida verdadeira.

Mas e quem não aceita? Como pode uma pessoa viver a vida toda sem se reconciliar com o Pai? Qual o sentido da vida dessa pessoa? O que a faz não se render aos encantos do amor de Cristo? O que a impede de se entregar e viver a única emoção que realmente vale a pena aqui na terra? Eu tive essa experiência com Cristo há 11 anos. E hoje me pergunto o que seria de mim sem Cristo. É Ele que me faz levantar, andar, respirar, pensar, desejar. Ele é tudo pra mim. E tudo que sou vem dele.

Aonde as pessoas buscam sonhos e esperanças? Aonde encontram força para enfrentar as dificuldades da vida? Pode mesmo o trabalho e o dinheiro preencher um espaço que deveria ser de Deus em nossas vidas? O Evangelho é simples: reconhecer que somos pecadores e nos entregar à Cristo para que Ele faça de nós o que bem quiser. Basta crer e aceitar. Basta dizer a Ele que se crê em seu sacrifício e em seu perdão, e deixa-lo conduzir-nos por um caminho de mudanças. Mudanças de pensamentos, conceitos e valores. Mudanças de atitude, de gestos e de perspectivas.

Cristo vive! Ele é vivo e está entre nós. Ele quer se relacionar comigo e com você. Quer fazer parte de nossas vidas. Quer nos ensinar, nos ajudar, nos consolar. Nos carregar no colo quando pensamos que não agüentamos mais. Quer segurar nossa mão, quando achamos que estamos caindo em um poço profundo. Quer nos colocar debaixo de suas asas quando achamos que vamos enlouquecer. Quer nos dar esperança (verdadeira) quando achamos que tudo acabou. Quer fazer parte de nossas decisões, de nossa vida.
Não há outro interesse de Cristo em nós, a não ser de estar ao nosso lado em todo tempo.

Um dia uma amiga me perguntou: “Como posso acreditar que Deus existe?”. Minha resposta foi: “Como você pode não acreditar que Ele existe?”. Basta olhar ao redor, toda a perfeição do universo, como tudo se encaixa perfeitamente. Bastar olhar para si e sentir o ar entrando e saindo de seus pulmões. Basta olhar para sua vida e avaliar se seria possível estar onde está, sem a intervenção de um ser supremo, superior e amoroso. Basta olhar para tudo que tem e conquistou, que na sua opinião, pode não ser tudo o que sempre quis, mas se reparar é muito mais do que precisa para viver.

Tudo nessa vida é opção. Tudo o que vivemos depende de uma escolha. E tudo o que escolhemos tem suas conseqüências, sejam elas boas ou ruins. Mas nossa principal escolha é aceitar a Cristo. Em nossos corações, de lábios, de atitudes. A bíblia não é só um livro. Jesus não foi apenas um profeta. As historias bíblicas não são apenas contos. O amor de Deus não é para alguns. O amor de Deus é para todos quantos se dispuserem a crer nele, a confessar seu nome, a crer em seus milagres. O milagre de uma nova vida, de um novo ser, que desponta depois que conhece o verdadeiro sentido da vida: adorar e se relacionar com o único Deus verdadeiro: Jesus!

Este na verdade é um desabafo. Uma voz que ecoa dentro de mim e deseja ardentemente que meus amigos, meus parentes, meus pais e meus irmãos, possam abrir o coração para esse Deus maravilhoso e desfrutar de um sentimento único, verdadeiro, e entender o sentido da vida.
Uma voz que ecoa trazendo a responsabilidade de pregarmos a simplicidade do evangelho, não apenas com palavras, mas com nosso testemunho. Testemunho de paz, de verdade, de compaixão, de amor e de alegria. Deixando transparecer através de nós a vida de Cristo, e não nós mesmos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Definições de Fé...

Alguns amigos me ajudaram a definir a fé cristã.
Se desejar inclua nos comentários a sua definição de fé cristã.



"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem."

Hebreus 11:1


“Fé é crer no poder de Deus. Crer em sua soberania, sabedoria e em seu infinito amor por nós. De tal forma que confiamos nele, dependemos dele, e acreditamos que todas as suas decisões são as melhores para nós, mesmo que nossos olhos – limitados – não possam enxergar tamanha magnitude, de como as coisas são realmente.”

Elizabete Rodrigues.


“Fé é ter o ânimo capaz de impelir alguém que, tendo, até, outra alternativa, ainda assim, escolhe dar um salto no escuro, num lugar intangível e desconhecido, sob a simples confiança na palavra de alguém que não se viu e nem se pode ver, mas garante que, no final, vai dar tudo certo.”

Josué Sirqueira - Advogado


"A fé pode ser definida em dois elementos: crer e confiar, sendo o crer um estado de predisposição e o confiar uma ação de entrega."

(By Eliézer Gomes) - Seminarista SETAL


"Fé, acreditar firmemente que aquilo que se deseja, ou se necessita acontecerá, ainda que aos olhos pareça impossível. Desafio ao ser humano a colocar a sua capacidade de acreditar além do natural, mas no impossível. Exercício proposto por Deus para provarmos a confiança que conseguimos depositar Nele. Maneira sobrenatural de se alcançar o impossível."

Camila Costa - integrante Teatro Povo Escolhido

Refletindo sobre a fé...

“Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos... E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados”

Hebreus 11: 33-34, 36-37

Em uma conversa descontraída com uma pessoa muito querida, surgiu essa reflexão. Não apenas do que é , mas para que nos serve a fé cristã. No contexto atual é tão natural assimilar à aquisição de bens materiais, que muitas vezes não nos questionamos se isso é realmente cristão, isto é, se esse é um ensinamento bíblico e se está de acordo com o Evangelho de Cristo. Quando passei a refletir, a resposta foi clara e objetiva: NÃO, a fé não nos serve para adquirir bens. Mas então, para que nos serve a fé?

Acreditar que de acordo com a nossa fé, será nosso poder aquisitivo, é ignorar as questões naturais que nos levam à melhores condições financeiras. Obviamente pessoas que nascem em uma família estruturada, terão oportunidades de avançar nos estudos e cursos, terão uma aparência mais adequada ao mercado, e consequentemente maior chance sobre as vagas de liderança e chefia, que são as que pagam mais. Isso não exime o esforço pessoal que cada um tem na convicção de seus estudos e da importância dele para sua carreira.

Eu, por exemplo, não priorizei os estudos em minha vida. Minha mãe não tinha condições de me manter em estudos avançados, mas sempre me incentivou a isso. Eu não quis. Hoje, aos 32 anos, percebo onde poderia estar profissionalmente se tivesse investido nisso. Poderia ter um inglês, um curso superior, e ate mesmo uma pós-graduação. No entanto, minha atual função de atendente reflete minhas decisões, de apenas trabalhar e cuidar do lar. E quem me conhece sabe que eu teria êxito se tivesse a formação adequada.

Então, não adianta agora eu fazer “confissão positiva” e almejar um cargo de gerencia ou diretoria; não há fé que me leve a essas funções! É claro que creio que ainda sou nova e posso lutar por essa formação, mas só a fé não me levará a isso, é necessário a minha resposta natural às coisas naturais. Sendo assim, na maioria dos casos a vida financeira é resultado de escolhas e decisões que tomamos em toda a nossa vida influenciada das decisões e escolhas efetuadas por nossos pais e familiares.

Outro ponto que me incomoda nesse pensamento de “tamanho da fé = bens que possuo”, é que como podemos medir nossa fé pelos bens que possuímos? Seria isso justo? Claro que não! Dizer que eu hoje, que possuo um carro popular antigo, uma casa alugada e um emprego, tenho menos fé do que alguém que tem casa própria e carro do ano; ou pior ainda, que tenho mais fé que um missionário que vive na África sem a certeza de um sustento mensal, ou um irmão chinês que vive sendo perseguido. Essa seria a medição real da fé que possuímos?

O que é mais fácil? Ser dono de uma pequena empresa que lucra todo mês, ou ter um emprego que paga o suficiente para suprir suas contas no final do mês, ou viver sem nem saber quantas pessoas vão ofertar em sua vida para que você possa prosseguir com o trabalho missionário? Nesses casos quem exerce mais fé? Se sua definição de fé for que ela é o trampolim para obter bênçãos, então quanto mais se tem mais ele exerce a fé. Mas se sua definição de fé for crer e confiar, então quanto mais temos, menos precisamos depender de Deus.

“Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus.”
Atos 14:22

Jesus nos ensina sobre a fé, explicando o poder dela em nossas ações. Mas em nenhum lugar da bíblia a fé está associada a bens materiais, e sim a necessidades pessoais de cura, salvação, libertação e tribulação. A fé deve ser exercida para nossa vida com Deus, vida de dependência e confiança, que só é possível através da fé. Não há como crer e confiar em um Deus invisível, sem a fé. É ela que nos leva ao relacionamento pessoal que temos com Deus, é ela que nos faz acreditar na supremacia da Palavra, é ela que nos ajuda a permanecer no caminho através do Espírito.

Para mim não há cristianismo sem fé. E não só a fé que falamos, mas a ação da fé através da salvação, das curas e dos milagres. A manifestação da fé é parte importante do evangelho de Cristo e deve ser exercido por todo cristão. A fé nos traz paz, esperança, segurança, e nos conduz para o centro da vontade de Deus. Porem devemos sempre refletir para que temos usado a nossa fé. Eu quero usa-la sempre para confiar em Deus, mesmo não entendendo e não compreendendo, mas sabendo que aquele que prometeu é fiel e justo para cumprir.

Ter fé em Cristo não é o mesmo que ter fé na fé, como se tudo que eu tiver fé obterei. Mas ter fé em Cristo é esperar, confiar, depender e acreditar que Ele é soberano, que Sua vontade para nós é além e mais excelente dos que as nossas vontades. É abrir mão e ser “louco” ao olhos dos outros. É esperar pela vida vindoura, sabendo que nesta vida talvez viveremos tribulações, e perseguições, e tristezas, e frustrações; e que nada disso determina nossa fé, mas sim fortalece nosso relacionamento com o “autor e consumador da fé”.

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.”
Gálatas 2:20



No amor e na paz de Cristo

domingo, 25 de abril de 2010

Refletindo... sexo, pecado?

“Joguem fora o velho fermento do pecado para ficarem completamente puros. Aí vocês serão como massa nova e sem fermento, como vocês de fato, já são. Porque a nossa festa da páscoa está pronta, agora que Cristo, o nosso cordeiro, já foi oferecido em sacrifício. Então vamos comemorar, não com o pão que leva fermento, o fermento velho do pecado e da imoralidade, mas com o pão sem fermento, o pão da pureza e da verdade”.
(1Co 5:7-8)

Estive refletindo sobre a banalização do sexo em nossos tempos atuais e suas conseqüências dentro da igreja. Esse é um assunto delicado, mas necessário. Tendo eu a pretensão de que a maioria dos leitores do meu blog sejam jovens, então esse assunto realmente se faz necessário, para que possamos refletir juntos, e com a ação do Espírito tocar o coração de alguns.

Por um lado temos o mundo e seus prazeres. O comportamento jovem responde a uma estrutura de boates e músicas que impulsionam um ambiente propício a relações sexuais. Não há pudores, não há mais tradição. Só há estimulo e indução de prazer sem limites e sem preconceitos. Homens e mulheres, ou melhor, jovens e adolescentes, não se importam mais com a beleza do ato sexual e o utilizam como prazer momentâneo.

Sim prazer momentâneo. Que no dia seguinte, por melhor que tenha sido a transa, para a mulher fica o vazio e a esperança que o rapaz a procure novamente; e para o rapaz sobra o cansaço e a busca por outra que consiga lhe trazer mais prazer que a anterior. Não há responsabilidade, não vínculos, não há interesse mutuo. Só há uma busca desenfreada por uma satisfação que nunca será suprida por esse tipo de relação.

Por outro lado temos a opressão da igreja. A igreja não se coloca na posição de ensino, mas sim numa posição ditatorial. Diz que é pecado, mas não explica o porque. Fecha os olhos para a realidade nua e crua de que cada vez mais os jovens cristãos não se preocupam em esperar pelo casamento para obter relações sexuais. Fingem que nada está acontecendo, que seus jovens se santificam, e que esse é um problema que acontece só na igreja vizinha.

Mas a verdade é que com a pressão e banalização do sexo pela sociedade, o jovem cristão acaba por ceder aos encantos do pecado, por não ter a instrução correta através de seus mestres nos ensinos bíblicos. Acaba por se iludir com frases demoníacas do tipo: “isso é normal entre duas pessoas que se amam” ou “como poderei me casar sem saber que o sexo é bom?” ou ainda “foi Deus quem fez o sexo, então não é pecado”.

Uma das astúcias de satanás é distorcer a verdade. Pensar que o sexo é licito fora do casamento é não ter conhecimento real do propósito do sexo para um casal. O sexo liga as duas almas da forma mais intima que se pode ter naturalmente. Por isso o casamento é tão importante na vida de uma pessoa. Por que o amor da amizade, dos pais e de irmãos, jamais completa um homem como o amor vivido entre duas pessoas dentro de um casamento.

O namoro nada mais é que o período de experiência, para que se verifique as compatibilidades naturais entre duas pessoas. Quando as afinidades são evidentes o sentimento se intensifica e então é que as vidas começam a se unir de forma mais intima. Passam a conhecer as famílias um do outro, começam-se os planos, e o casal vai desenvolvendo a tolerância às diferenças e usufruindo das vontades em comum.

Para o cristão esse período é mais que um processo. É o encontro de chamados ministeriais, de sonhos espirituais, de desejos em relação ao propósito de Deus para suas vidas. O casal deve então considerar a família do outro, os projetos do outro e verificar se os ministérios são aliançados ou não. Quando sim, devem passar a construir um relacionamento sólido embasado no amor de Deus e em sua santidade.

Quando Deus criou o sexo como selo do casamento (Gn 2:24), e quando Paulo nos ensina a casar ao invés de fornicar (1Co 7:9), mostra o cuidado de Deus para que o homem não transforme essa relação intima em apenas prazer carnal. O sexo é bom, mas quando feito fora do casamento é visto, como nos ensina a palavra de Deus, como fornicação, prostituição e adultério.

Quando um casal opta pela santidade, e aguarda o casamento para ter relações sexuais, estão na verdade optando por um desafio maravilhoso: encontrar bases sólidas para seu relacionamento. O casal passa a ter que descobrir amor em outras atitudes. Eles aprendem a se amar e respeitar de uma maneira mais completa. Devem encontrar equilíbrio, alegria, prazer, em momentos simples com a família, com os amigos, na presença de Deus.

Um namoro que encontra esse tesouro, estará pronto para enfrentar os apuros do casamento. Um casal que precisa do sexo para se completar, jamais terá forças para transpor as dificuldades que um casamento traz. Um namoro enfermo, precisa do sexo para se auto-afirmar, mas um namoro saudável, mesmo sentindo vontade, encontra na beleza dos outros detalhes, o prazer de estar um ao lado do outro. Um namoro que precisa de sexo é porque não tem encontrado alegria e prazer em apenas estar com a pessoa.

A santidade traz vida abundante para o casamento. Sexo antes do casamento é sinal de namoro com problemas, ele tenta preencher um vazio, mas acaba sendo um abismo (pecado), chamando outro abismo (peso do pecado ou morte espiritual). Quando esperado para o casamento ele se torna símbolo de prazer, alegria, intimidade, porque o casal já está alicerçado no prazer mutuo, e ele passa a ser conseqüência do amor verdadeiro, ao invés de fuga para uma vida frustrada.

Como então entender esse propósito de Deus para nossas vidas? Confiando em Deus. Se entregando à ele. Sabemos que no ardor da vontade, e no momento da situação, é mesmo difícil segurar a carne. Por isso a espiritualidade deve ter um lugar seguro em nosso coração. Saber que precisamos de intimidade com Deus para manter um namoro santo e sem máculas. Precisamos ter vida de oração, de leitura bíblica e de adoração ao Senhor, para conseguirmos compreender suas verdades bíblicas para os relacionamentos.

Não é apenas um ato. É pecado. Então devemos trata-lo com arrependimento, contrição e atitude. Não adianta apenas ter conhecimento da palavra, devemos pratica-la, em todo tempo, inclusive nos momentos em que ninguém mais vê... mas Deus sempre está vendo tudo. Não temos o poder de ditar o que é pecado ou não – eu já disse isso antes. Mas devemos saber que a responsabilidade das escolhas de nossos atos são nossas. Eu decido obedecer a Deus, mesmo sem compreender. Eu decido me santificar, por que meu Senhor é Santo.

Eu decido esperar, porque quero viver o verdadeiro amor, entre um homem e uma mulher. Um amor companheiro. Um amor amigo. Um amor que respeita os interesses, as vontades. Um amor que admira as qualidades. Um amor que ensina a ser uma pessoa melhor. Um amor que soma. Um amor que enfrenta as dificuldades, que transpõe as barreiras. Um amor que traz paz, esperança e alegria. Um amor que só é amor porque tem a sabedoria do Espírito como guia.


No amor e na paz de Cristo.

sábado, 10 de abril de 2010

Refletindo: renovação da mente e transformação...

"Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te."
(2Tim 3:2-5)


Nesses tempos de apostasia cristã, de banalização do evangelho, da distorção da palavra, e da criação de novas doutrinas – que nada tem a ver com a doutrina bíblica; uma pergunta ecoa em nossos corações: “Como pode alguém que experimenta do relacionamento com Cristo, se desviar do seu Evangelho verdadeiro?”. O amor que sentimos por Deus e pela Sua palavra nos traz uma inquietação sobre isso, nos faz refletir aonde isso tudo vai chegar.

Eu particularmente acredito que isso tudo vai parar no inferno, queimando junto com satanás... Mas há quem me ache radical quanto a isso. Porém se continuarmos a leitura da passagem acima veremos que estes resistem a verdade e já corromperam os seus pensamentos, enquanto a palavra é quem traz a sabedoria para a salvação. Muitas vezes não queremos aceitar, mas a palavra nos diz que essas pessoas estão perdidas, ou melhor: dementes, loucas, alucinadas!

É importante lembrar que Paulo se referia à falsos mestres. Pessoas que ensinavam errado e ainda perseguiam os que pregavam a verdade. Acho que não há diferença do nosso contexto atual. Falar a verdade, expor o verdadeiro evangelho, muitas vezes é motivo de chacota e descrédito, tamanho o mal que os falsos mestres de hoje tem feito à igreja de Cristo. Porém voltemos à pergunta inicial: “Como pode alguém que experimenta do relacionamento com Cristo, se desviar do seu Evangelho verdadeiro?”

Eu sei que há divergências teológicas quanto a esse respeito. E não é minha intenção, nem presunção, fechar a questão nessas linhas. Como sempre, gostaria apenas de nos fazer refletir sobre isso. É lógico e claro que, como minha tendência é Arminiana, minha reflexão seguirá essa linha teológica, porém gostaria que independente disso, você estivesse aberto a considerar minha reflexão, e refletir juntamente comigo.



"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."

(Romanos 12:2)



Para mim, esse é o versículo chave para a resposta que estamos buscando. Ele é para mim, rico de respostas e explicações para o que temos vivido em nossa atualidade. Primeiro Paulo nos ensina a não nos amoldar ao mundo. E o que mais temos visto é uma igreja que se amolda aos padrões do mundo para buscar satisfações pessoais. Festas, shows, mega-batismos, tudo isso é uma forma de se auto-afirmar e competir com o mundo. Quando na verdade nossa função é fazer tudo diferente do que o mundo nos propõe.

Outro ponto, e para mim o mais importante, é que Paulo nos chama a renovar a nossa mente para uma transformação. Vemos hoje as pessoas “aceitarem” a Cristo e até se batizarem, sem compreenderem o que significa esse aceitar a Cristo como Senhor e Salvador. A igreja impõe uma mudança totalmente visual, ao passo que a mudança moral não é enfatizada. Muitos até falam do básico como matar, roubar e adulterar; mas a conduta, os conceitos, a forma de pensar, os desejos, as vontades, esses acabam sendo ignorados de uma forma geral.

A igreja talvez não faça idéia do quanto isso é prejudicial ao corpo de Cristo e quanto traz enfermidades através dessa falha. O fato de não haver uma compreensão exata de que sem a renovação da mente não há transformação genuína e eficaz, leva o crente, ao longo do tempo, a não se preocupar com os valores cristãos e a trazer a tona seus instintos mais torpes. Já não discerne mais a palavra verdadeira, não se preocupa com o julgamento final, se tornam “mais amigos dos deleites do que amigos de Deus”, e acabam “tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela”.¹

É necessário uma renovação da mente para que não haja apenas mudança, mas verdadeira transformação. Muitos mudam, mas com o tempo voltam a ser quem eram. A soberba, a auto-suficiência, a independência, o egoísmo, o orgulho, tudo isso e muito mais volta a ser uma constante na vida do crente; que muitas vezes se apega aos dons que Deus lhe deu para justificarem suas atitudes, e se afogarem no lamaçal que Cristo os tirou – e voltam para lá com suas próprias pernas.

Precisamos nos transformar em Cristo. Renovar a nossa mente através do Espírito para conseguirmos assimilar nossa nova vida. O Reino de Deus nada tem a ver com os moldes mundanos. Quando nos convertemos mudamos totalmente de direção, não só apenas de estrada, mas de mundos! Transformar nossos desejos carnais em vontades espirituais é duro e doloroso, mas totalmente necessário. Viver a vida que Cristo nos propõe é muito mais do que simplesmente levantar a mão e dizer “te aceito Jesus”

Somente uma mente renovada pode compreender os conceitos de Cristo quando nos ensina que “o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve.”²; a amar nossos inimigos; a dar a outra face; a se sujeitar e suportar uns aos outros; a perdoar 70x7 vezes ao dia; a largar tudo e segui-lo, entre outras coisas que Cristo nos ensina. Muitas dessas ordenanças de Cristo não são compreendidas como literal, pois a nossa mente não está renovada o suficiente para recebe-las exatamente da forma como Cristo falou.

Usamos, então, de argumentos pessoais e teológicos para nos eximir da responsabilidade de fazer exatamente como Cristo nos ordenou! Todas as vezes que Cristo falava dessas posturas e conceitos morais, ele não se utilizava de parábola, ele era claro e objetivo. Está escrito, é só ler! No entanto, disputamos posições, desejamos bens materiais, colocamos nossa vida como prioridade; e todas essas coisas entram em desacordo com os ensinamentos de Cristo. Desejamos honra, gloria e poder, mesmo sabendo que esses atributos divino não são comunicáveis à nós!

Sem a renovação da mente jamais entenderemos que a vontade de Deus é perfeita, porque sempre questionaremos seus meios. Sem a renovação da mente jamais entenderemos que a vontade de Deus é boa, porque na bondade de Deus se manifesta sua justiça, e isso é demasiadamente difícil para nós em nossa compreensão natural. Sem a renovação da mente jamais entenderemos que a vontade de Deus é agradável, porque às vezes sua vontade trás dor, sofrimento, perseguição, e o conceito que temos de coisas agradáveis não se relacionam com essas verdades.

Sem a renovação da mente nunca entenderemos como os valores de Deus são opostos aos de nossa natureza pecaminosa. Nunca entenderemos os planos de Deus para nós. Nunca entenderemos que nossos bens devem ser repartidos com os que não tem. Sem a renovação da mente nunca entenderemos que esse mundo jaz no maligno e que não fazemos mais parte dele (apesar de vivermos nele). Sem a renovação da mente, não há confiança, não há entrega, não há disposição de largar tudo. Não há vida de Deus em nós.

No amor e na paz de Cristo.

¹ II Timóteo 3:4,5
² Lucas 22:26