sábado, 10 de abril de 2010

Refletindo: renovação da mente e transformação...

"Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te."
(2Tim 3:2-5)


Nesses tempos de apostasia cristã, de banalização do evangelho, da distorção da palavra, e da criação de novas doutrinas – que nada tem a ver com a doutrina bíblica; uma pergunta ecoa em nossos corações: “Como pode alguém que experimenta do relacionamento com Cristo, se desviar do seu Evangelho verdadeiro?”. O amor que sentimos por Deus e pela Sua palavra nos traz uma inquietação sobre isso, nos faz refletir aonde isso tudo vai chegar.

Eu particularmente acredito que isso tudo vai parar no inferno, queimando junto com satanás... Mas há quem me ache radical quanto a isso. Porém se continuarmos a leitura da passagem acima veremos que estes resistem a verdade e já corromperam os seus pensamentos, enquanto a palavra é quem traz a sabedoria para a salvação. Muitas vezes não queremos aceitar, mas a palavra nos diz que essas pessoas estão perdidas, ou melhor: dementes, loucas, alucinadas!

É importante lembrar que Paulo se referia à falsos mestres. Pessoas que ensinavam errado e ainda perseguiam os que pregavam a verdade. Acho que não há diferença do nosso contexto atual. Falar a verdade, expor o verdadeiro evangelho, muitas vezes é motivo de chacota e descrédito, tamanho o mal que os falsos mestres de hoje tem feito à igreja de Cristo. Porém voltemos à pergunta inicial: “Como pode alguém que experimenta do relacionamento com Cristo, se desviar do seu Evangelho verdadeiro?”

Eu sei que há divergências teológicas quanto a esse respeito. E não é minha intenção, nem presunção, fechar a questão nessas linhas. Como sempre, gostaria apenas de nos fazer refletir sobre isso. É lógico e claro que, como minha tendência é Arminiana, minha reflexão seguirá essa linha teológica, porém gostaria que independente disso, você estivesse aberto a considerar minha reflexão, e refletir juntamente comigo.



"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus."

(Romanos 12:2)



Para mim, esse é o versículo chave para a resposta que estamos buscando. Ele é para mim, rico de respostas e explicações para o que temos vivido em nossa atualidade. Primeiro Paulo nos ensina a não nos amoldar ao mundo. E o que mais temos visto é uma igreja que se amolda aos padrões do mundo para buscar satisfações pessoais. Festas, shows, mega-batismos, tudo isso é uma forma de se auto-afirmar e competir com o mundo. Quando na verdade nossa função é fazer tudo diferente do que o mundo nos propõe.

Outro ponto, e para mim o mais importante, é que Paulo nos chama a renovar a nossa mente para uma transformação. Vemos hoje as pessoas “aceitarem” a Cristo e até se batizarem, sem compreenderem o que significa esse aceitar a Cristo como Senhor e Salvador. A igreja impõe uma mudança totalmente visual, ao passo que a mudança moral não é enfatizada. Muitos até falam do básico como matar, roubar e adulterar; mas a conduta, os conceitos, a forma de pensar, os desejos, as vontades, esses acabam sendo ignorados de uma forma geral.

A igreja talvez não faça idéia do quanto isso é prejudicial ao corpo de Cristo e quanto traz enfermidades através dessa falha. O fato de não haver uma compreensão exata de que sem a renovação da mente não há transformação genuína e eficaz, leva o crente, ao longo do tempo, a não se preocupar com os valores cristãos e a trazer a tona seus instintos mais torpes. Já não discerne mais a palavra verdadeira, não se preocupa com o julgamento final, se tornam “mais amigos dos deleites do que amigos de Deus”, e acabam “tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela”.¹

É necessário uma renovação da mente para que não haja apenas mudança, mas verdadeira transformação. Muitos mudam, mas com o tempo voltam a ser quem eram. A soberba, a auto-suficiência, a independência, o egoísmo, o orgulho, tudo isso e muito mais volta a ser uma constante na vida do crente; que muitas vezes se apega aos dons que Deus lhe deu para justificarem suas atitudes, e se afogarem no lamaçal que Cristo os tirou – e voltam para lá com suas próprias pernas.

Precisamos nos transformar em Cristo. Renovar a nossa mente através do Espírito para conseguirmos assimilar nossa nova vida. O Reino de Deus nada tem a ver com os moldes mundanos. Quando nos convertemos mudamos totalmente de direção, não só apenas de estrada, mas de mundos! Transformar nossos desejos carnais em vontades espirituais é duro e doloroso, mas totalmente necessário. Viver a vida que Cristo nos propõe é muito mais do que simplesmente levantar a mão e dizer “te aceito Jesus”

Somente uma mente renovada pode compreender os conceitos de Cristo quando nos ensina que “o maior entre vós seja como o menor; e quem governa como quem serve.”²; a amar nossos inimigos; a dar a outra face; a se sujeitar e suportar uns aos outros; a perdoar 70x7 vezes ao dia; a largar tudo e segui-lo, entre outras coisas que Cristo nos ensina. Muitas dessas ordenanças de Cristo não são compreendidas como literal, pois a nossa mente não está renovada o suficiente para recebe-las exatamente da forma como Cristo falou.

Usamos, então, de argumentos pessoais e teológicos para nos eximir da responsabilidade de fazer exatamente como Cristo nos ordenou! Todas as vezes que Cristo falava dessas posturas e conceitos morais, ele não se utilizava de parábola, ele era claro e objetivo. Está escrito, é só ler! No entanto, disputamos posições, desejamos bens materiais, colocamos nossa vida como prioridade; e todas essas coisas entram em desacordo com os ensinamentos de Cristo. Desejamos honra, gloria e poder, mesmo sabendo que esses atributos divino não são comunicáveis à nós!

Sem a renovação da mente jamais entenderemos que a vontade de Deus é perfeita, porque sempre questionaremos seus meios. Sem a renovação da mente jamais entenderemos que a vontade de Deus é boa, porque na bondade de Deus se manifesta sua justiça, e isso é demasiadamente difícil para nós em nossa compreensão natural. Sem a renovação da mente jamais entenderemos que a vontade de Deus é agradável, porque às vezes sua vontade trás dor, sofrimento, perseguição, e o conceito que temos de coisas agradáveis não se relacionam com essas verdades.

Sem a renovação da mente nunca entenderemos como os valores de Deus são opostos aos de nossa natureza pecaminosa. Nunca entenderemos os planos de Deus para nós. Nunca entenderemos que nossos bens devem ser repartidos com os que não tem. Sem a renovação da mente nunca entenderemos que esse mundo jaz no maligno e que não fazemos mais parte dele (apesar de vivermos nele). Sem a renovação da mente, não há confiança, não há entrega, não há disposição de largar tudo. Não há vida de Deus em nós.

No amor e na paz de Cristo.

¹ II Timóteo 3:4,5
² Lucas 22:26

sábado, 13 de março de 2010

Refletindo: Fé Pirata...



Durante minha estada em São Paulo, estive passeando muito pelo Centro da Cidade. Além das variedades de raças, estilos e comportamentos, o que mais se vê em suas ruas do centro, são a variedade de produtos piratas vendidos por ambulantes. Em todas as ruas, praças, calçadas... Em todo redor se vê vendedores ambulantes de tudo que imaginar. Desde perfumes, chinelos, até pilhas e celulares... Mas todos os produtos são falsos.


No Bairro da Liberdade, bem próximo à Praça da Sé tem uma rua chamada Conde de Sarzedas. Nela se encontram todos os tipos de artigos evangélicos. Para todos os tipos, gostos e tendências teológicas. Lojas e galerias são repletas de variedades, desde roupas, livros, até acessórios para bíblias, broches, xícaras... Tudo! Mas infelizmente me deparei com algo horrível de ver, aos olhos de um cristão que deve ser o não na terra do sim.


Naquele lugar também existe ambulantes vendendo produtos (evangélicos) falsificados. Mas isso nunca me surpreendeu. Não concordo, não compro, e não tem como se saber se a pessoa que está vendendo tem noção do que ela está fazendo. Agora, desta vez, me deparei com lojas vendendo DVDs de filmes evangélicos pirata. Fiquei chocada! Não foi uma, nem duas lojas... E eu fiz questão de perguntar se eram originais (já que o preço sugeria que não pudesse ser original), e a resposta foi como se fosse a coisa mais normal do mundo.


Alguns evangélicos se consideram mais crentes do que os outros por causa de seus cabelos longos, e as saias cobrindo toda a perna. A pessoa que me atendeu tinha essa aparência, mas nem se envergonhou de dizer que estava vendendo produtos falsificados! Eu confesso que saí da loja sem ar, sem respirar, e meu sentimento foi de querer sentar no chão e chorar. Lembrei-me de Cristo, e acredito, que pela primeira vez, compreendi o que ele sentiu quando entrou no pátio do templo e começou a expulsar a todos (João 2:13-17).


Essa cena não me sai da cabeça. Venho refletindo sobre isso desde então. E cheguei à conclusão óbvia de que nossos atos expressam o que está dentro de nós. Se hoje somos capazes de vender e comprar produtos piratas, se somos capazes de simplesmente gravar musicas ao invés de comprar cds (originais, por favor!), se não nos importamos com a procedência do que adquirimos... Então cabe dizer que não nos preocupamos com que tipo de fé temos vivido.


Deixamos que as anormalidades do mundo se tornem normais para nós. Falamos de santidade e sacrifício, mas quando nos é conveniente compramos celulares de mercado negro, DVDs pirata, enfim o produto falsificado que eu estiver precisando no momento. E não falo aqui de produtos evangélicos, não. Estou falando de produtos seculares que adquirimos o tempo todo, todos os dias. Confesso que às vezes torna-se uma tentação adquirir alguns produtos piratas, mas quando penso na exploração trabalhista, na ilegalidade e na qualidade inexistente nesses produtos fica mais fácil resistir.


Já parou para pensar que nossa fé pode também ser pirata? Algo falso, superficial, sem garantias e que não será eterna? Por que se nossas atitudes são reflexos do que somos, então estamos acostumados com coisas falsas, com atitudes falsas, com palavras falsas. Meu maior questionamento é se temos acreditado que o Evangelho é verdadeiro. Porque Ele deve ser a mola propulsora de nossas vidas, tudo o que fazemos e decidimos deve ter Ele como padrão, como referencial.


Se não temos o Evangelho por verdadeiro e real, então fica fácil de entender porque nos apegamos a símbolos e atos proféticos com tanta facilidade. Fica claro porque aceitamos um “evangelho” de prosperidade e egoísmo, justificando a nossa ambição e individualismo. Fica notório que não esperamos pela volta de Cristo e que o inferno passa ser em nossas mentes um lugar figurativo, e se ele existir com certeza não é para nós!


É interessante pensar que aquele que diz “compro por que não tenho dinheiro” tem mais dinheiro dos que não se vendem e nem se falsificam. E é interessante pensar que os que menos crêem, e os que menos vivem o evangelho, são aqueles que estão em posição de liderança. Que tem uma facilidade maior de compreender o Evangelho de Cristo, e que tem a função de transmitir esse Evangelho em sua íntegra. Mas como pregarão se não acreditam? Como viverão um Evangelho puro e verdadeiro, se estão lambuzados de mentiras e falsidades?


Eu acredito que nas pequenas coisas nossa fé transparece, fica lúcida e clara. Nossa missão é pregar o Evangelho, mas não seremos persuasivos se não vivermos o evangelho. Ninguém acreditará em nós enquanto a verdade ficar oculta e o rosto que aparece é de sorriso falso e atitudes suspeitas. Ninguém precisa de mais falsidades. O mundo deseja a verdade, deseja sinceridade, deseja Cristo. Mas jamais mostraremos quem Ele realmente é enquanto nossas atitudes não convencerem.


É hora de refletir... que tipo de fé temos? Que tipo de Evangelho vivemos? Qual testemunho apresentamos de Cristo? A pior parte ao responder essas perguntas é quando você, se conseguir responde-las com sinceridade, se deparar de quanto se utiliza de conveniências para justificar seus atos. Mas avalie, pense e conclua, se é melhor viver na contramão aqui e confiar em Cristo, ou se é melhor acreditar na ilusão de que nossos atos não nos levarão à condenação.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Refletindo sobre as riquezas...

Estava eu fazendo minha leitura bíblica, quando comecei a refletir sobre a importância das riquezas. Sei que a Palavra de Deus é farta de versículos que falam sobre elas, mas parece, então, que mesmo sendo muitos, estes versículos passam despercebidos aos olhos dos grandes líderes atuais. Para ser sincera, às vezes me questiono se esses líderes lêem mesmo a bíblia... Sei que parece julgamento, mas pode mesmo alguém que possui o Espírito de Deus, lendo a bíblia, querer ser rico?

Não, não estou aqui para pregar a pobreza. Mas será que a busca pelas riquezas pelos cristãos é algo genuíno do caráter de Cristo? Sabemos que não. Quem sabe? Todos sabemos. Está claro em todo Novo Testamento, que Jesus jamais pregou riqueza, que os apóstolos não foram ricos, e que o evangelho nada tem a ver com o que se prega hoje sobre prosperidade. Eu vivo a prosperidade, a cada dia em minha vida. E posso garantir que nada tem a ver com essas pregações.

“Um escravo não pode servir a dois donos ao mesmo tempo, pois vai rejeitar um e preferir o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vocês NÂO podem servir a Deus e também servir ao dinheiro.”
Lucas 16:13

Comecemos a refletir através de Lucas 16:13 em diante. Jesus estava falando sobre honestidade e fidelidade. No versículo posterior a bíblia diz que os fariseus riram “porque amavam o dinheiro”, e Jesus responde que “aquilo que as pessoas acham que vale muito não vale nada para Deus”. Essa passagem deixa claro que os valores humanos sobre a riqueza são abominação para Deus. E o mais interessante é que logo após esse episódio Jesus expõe a parábola do rico e do Lázaro, ilustrando bem e ratificando exatamente o que queria dizer.

Como poderemos então “pregar” que as riquezas do mundo migrarão para igreja? Quem quer isso? Jesus não quer, disso tenho certeza. Essa gana por uma prosperidade anti-bíblica não vem senão do deus deste século. É ele quem tem cegado as multidões. É à ele que essas igrejas estão servindo. É ele quem se importa com as riquezas terrenas, pois jamais poderá desfrutar das riquezas celestiais, que nos foi prometida por nosso Mestre.

“Vocês dizem: somos ricos... mas não sabem que são miseráveis, infelizes, pobres, nus e cegos.”
Ap 3:17

A ganância no meio evangélico retrata uma igreja doente, debilitada, fraca, com valores totalmente distorcidos. Esqueceram-se da verdadeira missão da igreja. Esqueceram-se do que realmente tem valor para Deus. Chamam Jesus de pastor e mestre, mas na verdade não conseguem confiar em suas palavras, não conseguem seguir os seus passos, não conseguem levantar e caminhar pelo verdadeiro caminho. Comeram alimento envenenado por satanás, e ao longo dos anos foram definhando e se rendendo às ciladas do inimigo.

Buscar riquezas através de Cristo é um erro. Ele não quer nos enriquecer com coisas materiais. Ele quer fazer de nós pessoas ricas espiritualmente. Cheias de palavras de conforto, amor, amizade. Quer fazer de nós um povo misericordioso e não ganancioso. Ele não quer que fiquemos em nossas mansões, tomando banho de banheira e indo à igreja com nossos carros importados. Não, Jesus não quer isso. O que Ele deseja é um povo que divide suas riquezas, que larga tudo e vai em busca de Sua vontade. Um povo que olhe para o mundo e não o deseje, mas conquiste todas as almas para o Seu Reino.

Jesus quer um povo que quando receber dele invista em Seu Reino. Não na igreja local apenas, mas no Reino. Precisamos de jovens que encham os cursos de Missões. Precisamos de servos que lotem os seminários. Precisamos de líderes que incentivem ações sociais. Precisamos de pastores que queiram realmente cuidar de ovelhas, limpando feridas, fazendo curativos, e não que sonhem com os números que elas podem significar, resultando em sucesso humano.

Sei que a igreja de hoje é fruto do que tem sido ensinada. Mas isso não é desculpa. Se somos servos do Rei, devemos buscar o que Ele tem para nós. Não podemos simplesmente nos alimentar de domingo à noite. Pode ser que o alimento que você está comendo esteja envenenado por Satanás. É necessário buscar a verdade bíblica, dia a dia. Basta ler. Ler a bíblia e não livros que tem por objetivo anulá-la. Basta orar e pedir discernimento à Deus. Basta olhar e ver que o caminho que estamos seguindo, não tem Jesus à frente.

“Jesus disse: se alguém quiser ser meu seguidor, esqueça os seus próprios interesses, esteja pronto para morrer como eu vou morrer e me acompanhe. Pois quem põe os seus próprios interesses em primeiro lugar nunca terá a vida verdadeira...”
Mateus 16: 24-25


Não há desculpas. Muitas vozes têm se levantado nesses tempos, defendendo a verdadeira fé, o verdadeiro evangelho, o verdadeiro caminho. Só há um Deus, e Ele enviou seu Filho para que o seguíssemos. E sabemos que só há um caminho. Quem não trilhar por esse caminho, terminará queimado. E não será pelo fogo da glória. Ainda há tempo. Se quisermos seguir a Jesus teremos que ouvi-lo, porque as Suas ovelhas ouvem a Sua voz, e o conhecem, e seguem-no (João 10:27). Mas muitos tem ouvido vozes estranhas, e seguido ensinamentos anti-cristãos.

Não sou perfeita. Ninguém é. Não sou dona da razão. Mas não posso desprezar o encargo que Jesus colocou em nossas mãos: apregoar o evangelho verdadeiro. Se levantar como voz profética e apologética. Confesso que não é fácil. Isso não me traz muitos amigos. Mas não estou nessa terra para agradar homens e sim agradar o meu Senhor. E quero agradá-lo. E quero ouvi-lo. E quero seguir por Seu único caminho. E me alimentar de sua palavra e não das asneiras que saem da boca de satanás.

“Mas Deus lhe disse: ‘Seu tolo! Esta noite você vai morrer; aí quem ficará com tudo o que você guardou?’ Jesus concluiu: isso é o que acontece com aqueles que juntam riquezas para si mesmos, mas para Deus não são ricos.”
Lucas 12: 20-21

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Refletindo sobre Igrejeiros e Cristãos...

O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.
Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.
(João 15:12-15)

Igreja é relacionamento. Não há outra razão para a igreja local de Cristo existir. A fé e a salvação são individuais. Ninguém é digno de santificar outrem, ou de prestar contas em seu lugar diante de Deus. Não podemos aceitar a Cristo como Senhor e Salvador pelos nossos filhos ou pais. Sendo assim a igreja local é a reunião de cristãos, cheios de fé, que compartilham suas experiências, dor, dificuldades e vitórias.

O dicionário Aurélio define “relacionar” como “adquirir amizades”; e “amizade” como “sentimento fiel de afeição, estima ou ternura entre pessoas que em geral não são parentes nem amantes”, e ainda “amigo” como “companheiro, protetor”.

Para mim relacionamento é troca. Você dá e recebe. Ensina e aprende. Chora e sorri. E principalmente aprende a viver com todos os tipos de diferenças. Uma amizade torna-se cada vez mais verdadeira e profunda quando um aprende com o outro. Para mim quando Cristo declarou “mas tenho-vos chamado amigos” ele mostrou que seu relacionamento conosco vai alem de mestre e aluno, e também queria nos ensinar como deveria ser nossos relacionamentos.

Sendo assim fico refletindo que tipo de relacionamento temos hoje em nossas igrejas. Serão eles apenas superficiais, ou verdadeiros? São relacionamentos de “eu te amo” durante o culto, ou de convivência diária? Podemos chamar nossos irmãos da igreja de amigos, ou seriam eles apenas membros da mesma igreja? Sei que são perguntas fortes, mas o pior são as respostas que teremos se realmente as buscarmos.

Jesus é nosso melhor amigo. Nosso companheiro e protetor. E nós, o que somos uns dos outros? Gostaria que refletíssemos juntos sobre essas questões. Não no intuito de acusar, mas de nos trazer a realidade de nossa concepção de amizade, de como aprendemos a agir, e o quanto podemos mudar e melhorar. Toda mudança de pensamento é difícil, mas é ainda mais difícil mudar nossas atitudes. Precisamos fazê-las. Se queremos uma igreja forte e que exerce o verdadeiro cristianismo, precisamos entender que cabe a cada um de nós fazer valer o cristianismo aqui na terra.

Eu sou cristã. Você é cristão. Devemos, então, nos relacionarmos e sermos amigos. Não somente eu e você. Mas com todos. Independente da igreja em que congrega, da posição teológica, ou ate mesmo da segmentação religiosa que cada um escolhe. Devemos andar na contramão do mundo. Mas o mundo tem descoberto melhores amizades do que a igreja. O mundo tem compartilhado “sentimento fiel de afeição, estima ou ternura entre pessoas que em geral não são parentes nem amantes”, muito mais do que a igreja.

A igreja em células poderia representar bem essa amizade. Mas a partir do momento que ela centraliza a importância em apenas um grupo (o “meu” grupo) e toma posse das pessoas, e não amplia as amizades e vínculos, ela também não está exercendo cristianismo. Esta sendo apenas igrejeira. Porque o que temos em nossas igrejas são igrejeiros e não cristãos. Igrejeiros não tem visão de Reino. Igrejeiros se preocupam mais com status hierárquico, do com a amizade. Igrejeiros priorizam a denominação em detrimento do ser individual.

Os igrejeiros se relacionam apenas enquanto compartilham da mesma denominação local. Se abraçam, sorriem, dizem que são importantes uns para os outros, mas se o irmão parar de congregar ali, já não se falam mais, já não sabem o que fazem, e o caso se torna ainda pior quando passam a falar mal e a inventar fofocas só porque a pessoa não faz mais parte do “clube”. Mas o que mais me choca é quando o igrejeiro nem percebe a ausência de um irmão que simplesmente deixou de estar presente. Quanto vale uma vida? Qual a importância de um filho para o Pai? Temos nos preocupado com isso?

Sendo que na realidade quando alguém rompe com alguma denominação, está rompendo com o sistema religioso local e não com as pessoas. As pessoas são a igreja, uma unica família. Fazemos parte do mesmo corpo de Cristo, independente da congregação. Portanto isso não deveria fazer a menor diferença. Temos um só Pai, um só irmão, um só Espírito que nos guia. Os laços não deveriam ser rompidos, pois nossa ligação ao Sangue de Cristo permanece a mesma. Igrejeiros não agem como irmãos. Mas os cristãos seguem pelo mesmo caminho até a morte.

Não podemos ser igrejeiros. Devemos ser cristãos. Valorizar o ser integral. Aprender a nos relacionar com todos. Amar e se deixar ser amado. Um cristão que não se relaciona intimamente com outras pessoas, principalmente em sua igreja local, está com problemas em sua crença. Cristo se relacionou o tempo todo. Estreitou laços. Participou dos problemas de seus amigos, fez o que pode para ajuda-los. E por fim entregou sua própria vida para que seus amigos vivessem.

È importante ratificar, que amizade é uma via de mão dupla. Deve haver um interesse das duas partes. Mas é aí que devemos nos avaliar. Se nos importamos com as pessoas. Se nos deixamos aproximar-se delas, ou se apenas conhece-las superficialmente está bom. Não estou me referindo ao amor, este assunto é um ótimo tema para outra reflexão. Estou me referindo ao quanto é importante para nós nos relacionarmos em amizade uns com os outros. E o quanto a amizade pode mudar a vida de uma pessoa. E melhor ainda, como uma amizade pode mudar a sua e a minha vida.

Eu avaliei meus atos. Fiquei entristecida de saber que muitas vezes fui igrejeira. Espero que você também possa identificar se for um. E mudar. Priorizar pessoas e não instituições. Se interessar pela essência de cada um, e não apenas por números que norteiam a instituição. Ser amigo de um, e transformar esta vida, do que ser conhecido de muitos e não fazer a diferença na vida de nenhuma delas. O cristianismo é relacionamento. E relacionamento verdadeiro. Só assim, quando nos dispusermos a ser amigos, estaremos semeando o fruto que permanece.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Eu não quero perder a visão...

Estando eu ainda em São Paulo, consegui assistir à programação da minha - anteriormente - igreja favorita. E comecei a refletir sobre como eu sempre gostei muito deles. A bispa desta igreja sempre foi um referencial de mulher de Deus para mim. Seu testemunho, sabedoria, a forma como expressa a palavra de Deus, com amor e paixão. Suas canções sempre tão profundas e cheias de experiências com Deus. Não foi à toa que eles chegaram aonde chegaram. A história mostra um desligamento com a religiosidade, uma preocupação com a edificação dos jovens, um amor pela obra verdadeira de misericórdia e compaixão.

Olho para trás e entendo porque sempre gostei deles. Mesmo que eu nunca tenha congregado lá, desde da época que me converti e fui aprisionada em dogmas (locais e não universais) e religiosidade, eu ficava encantada com eles. A música despojada e eclética, as tatuagens e cabelos masculinos compridos, a ceia que não era imposta apenas a alguns privilegiados... Isso tudo tem um pouco do que tenho avaliado na atualidade. Além da impactante direção nas obras sociais e com usuários de drogas. A busca pelo relacionamento como “carro chefe” da igreja. Essa é a igreja com a qual sonho em congregar hoje.

Mas minha preocupação é perder o foco no caminho... E passar a priorizar bênçãos materiais e milagres financeiros e gastar, mensalmente, milhões com rede de TV e rádio. Hoje eu tenho a nítida visão de que Jesus não quer nos dar casas e carros, que ele não se preocupou com a vida material e também não quer que nos preocupemos com isso... “Mais é a vida do que o sustento, e o corpo mais do que as vestes” (Lc 12:23)... Isso é mais claro do que a água para mim. Que o ser humano, a família, o relacionamento com Deus e com o próximo é mais valioso do que qualquer riqueza que eu possa adquirir com meu trabalho e esforço.

A idéia de redes de TV e radio não é herética, e sabemos que acaba alcançando algumas pessoas. Sim algumas. Não muitas. Porque o que importa são os frutos que permanecem. E hoje os frutos que permanecem são aqueles que são ganhos para Cristo através de relacionamento e testemunho de vida. E a TV e o rádio não proporcionam essa proximidade. Acredito que alguns são ganhos através desses canais. Mas hoje eu compreendo que se esses milhões de reais fossem investidos em irmãos sedentos por se preparar para o campo missionário, e em trabalhos efetivos de evangelização a longo prazo, alcançaríamos muito mais nações e povos através do relacionamento interpessoal.

Quando as pessoas me chamam de pastora, me arrepio até a espinha. Porque se ser consagrado a pastor me levar a um caminho de cegueira e obsessão por números, como se igreja lotada significasse alguma coisa, se me fizer ter uma vida solitária e de aparência por não poder mostrar quem realmente sou, se me fizer clamar durante 30 minutos para que os fieis ofertem, utilizando de abalo emocional para que venham despejar cada vez mais dinheiro diante do “altar”, ou me fizerem burlar a lei e esconder dinheiro como se isso fosse a coisa mais normal do mundo... Eu vos afirmo: eu prefiro ser quem sou.

Uma faminta pelo evangelho verdadeiro. Uma sedenta pelo resgate da igreja verdadeira. Uma apaixonada pelo verdadeiro cristianismo. Uma sonhadora, que tem medo de avançar e perder o foco. Que está paralisada no tempo, com receio de seguir em frente e perder a visão mais maravilhosa que já possuiu: a de Cristo clamando por verdadeiros adoradores. Minha vida não tem sentido sem Cristo, sem o que realmente importa para Ele. Ele é o meu amado, meu Senhor e Mestre. Meu Pai e meu Rei. Tenho medo. Não quero perder a visão e usar o nome dele em vão.

Às vezes me sinto sozinha neste mundo. Às vezes encontro alguns irmãos que chamo de “insatisfeitos” como eu. Mas às vezes procuro e não encontro, um pastor que realmente se preocupe em agradar a Cristo, mesmo que isso signifique manter por toda a vida uma igreja que não passe de 50 membros... um cristão que não se contamine com o contrabando de produtos piratas... um irmão que está sofrendo e recebe visitas de seu pastor e dos irmãos da igreja em que congrega... Não vejo... não enxergo...

Mas o que posso fazer? Olhar para mim. Para meu ser insignificante. Para minha natureza pecaminosa. E saber que se eu vacilar, meus olhos irão se fechar, e eu posso começar a viver tudo que tenho repudiado hoje. Posso confiar em Deus e depender dele em todo o tempo. Esperar e acreditar que Ele sempre esteve, está e sempre estará no controle de tudo. Como criança me entregar. E ungir meus olhos com colírio para que eu veja (Ap 3:18) e jamais perca a visão.

É importante dizer que eu não escrevo sermões... mas apenas reflexões...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Então é Natal...

À meia noite todos se abraçaram, e então todas as diferenças caem por terra e unimos os nossos corações. Muitos não comemoram esta data, pois ela não representa historicamente a data de nascimento de Cristo. Mas eu sei que o sacrifício de Cristo vai além do que podemos imaginar. Por isso se há um dia dedicado à Ele, onde todos se reúnem, onde o ódio é amenizado, onde o perdão vem à tona, onde a lagrima expressa que o coração duro amoleceu, onde o amor supera todas as diferenças, eu creio que Ele se alegra conosco! Como se opor a isso?? Como não valorizar esse momento?? Como não fazer parte disso??
Sei que meu amado está presente em todos os lugares e na noite de natal ele vê o que o Pai viu quando o enviou à nós: há uma esperança para a humanidade! E isso só é possível porque Ele deixou seu lugar de gloria ao lado do Pai, veio até nós e morreu por nós... só por isso há esperança para cada um de nós!

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Viagem

A paz do Senhor, a todos que acompanham meu blog.
Eu tenho varias reflexões em minha mente e passarei todas a vocês.
Porém Deus me deu um presente maravilhoso e inesperado: uma viagem a minha terra natal!
Estou passando uns dias em São Paulo, e por isso não estou conseguindo atualizar o blog com minhas reflexões.

Na verdade esta viagem tem extendido os temas que podemos refletir juntos, então isso será uma benção posteriormente.

Enquanto isso conto os detalhes de minha viagem num blog alternativo.
Não vou deixar o endereço aqui, mas se interessar me mande um e-mail que eu passo para os mais chegados.

O que quero deixar registrado é o meu carinho por voce que reflete comigo.
Que Jesus continue nos abençoando e nos permitindo refletir sobre Sua vida, Sua obra e Seu Reino.
Que 2010 seja refleto de reflexões que nos amadureça, nos façam crescer, que nos dê mais fome e sede e assim nos leve a praticar o cristianismo de forma eficaz.

Que a paz do Senhor esteja sobre todos nós!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A igreja quebra galho da videira

Por Caio Fabio

Jesus disse que Ele está para nós assim como a Videira está para os ramos.

Sem videira todo ramo é pedaço de pau e somente isto.

Sim! É madeira morta, boa para ser queimada.

Os cristãos, no entanto, foram enganados e deixaram-se enganar, pois, desde que se determinou que "fora da igreja não há salvação", que a Videira passou a ser a "igreja", e, também, desde então, o Agricultor, que, segundo Jesus é o Pai, entre os cristãos é o Pastor, ou, em alguns grupos, o Corpo de Doutrina pelo qual se faz a "poda" de membros.

Assim, para o crente, "permanecer em Jesus", [João 15], é permanecer firme na "igreja", freqüentando, participando e se submetendo a tudo.

Do mesmo modo, "dar fruto", segundo os crentes e suas emoções condicionadas por anos de engano religioso, é evangelismo como programa, é acampamento como devoção, é célula de crescimento, é cantar no grupo de louvor, é ir à reunião de oração, e, sobretudo, é dar o dízimo em dia.

E o mandamento de amar uns aos outros é algo que os crentes entendem como amar os que são iguais a eles enquanto os tais não ficarem diferentes. Nesse dia eles viram desviados.

Ainda no mesmo andar de engano, os crentes pensam que "ser lançado fora" da Videira é ser disciplinado pelo Agricultor Pastoral ou pelo Conselho de Agricultura que aplica o Corpo de Doutrinas disciplinadoras e excludentes, aos quais supostamente não se equivocam ao separar o joio do trigo no campo do mundo-igreja.

Ser “amigo de Jesus” [João 15], para os crentes é estar em dia com a doutrina, o dizimo e a freqüência.

Assim, para a maioria dos crentes, emocionalmente, é assim que João 15 é sentido e praticado.

Ora, o resultado é o desastre cristão desses quase dois mil anos!

De fato, a religião cristã é um estelionato espiritual, pois, chama para si, como se fora Deus, aquilo que é de Deus e somente passível de realização Nele.

O que Jesus dizia era tão simples.

O que Ele dizia é apenas isto:

Absorvam a minha Palavra; o meu ensino; e o pratiquem com amor por mim e por todo ser humano. Se vocês sempre crerem que a Vida de vocês está em mim e vem da obediência ao mandamento do amor, então, vocês serão meus amigos; e, assim, toda a verdade de minha Palavra será fato e bem na vida de vocês. Mas, sem mim, sem vida em meu amor, sem absorção do Evangelho no coração, por mais que vocês tentem viver e buscar o bem, de fato vocês serão apenas como galhos soltos, secos e mortos; existindo sob o engano de que existe vida em vocês, quando, de fato, pela própria presunção de vocês, estarão mortos sem o saberem.

O resto a História do Cristianismo nos conta!

Caio

24 de novembro de 2008
Lago Norte
Brasília - DF

FONTE: http://www.caiofabio.com/
http://www.caiofabio.com/2009/conteudo.asp?codigo=04212

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Desabafo...

Esses dias ouvi um pregador falar sobre hermenêutica...

No final do sermão, que matou a hermenêutica do começo ao fim, ele começou a dizer que quem questiona a igreja, o seu pastor e seus lideres acaba ficando frio. Ele estava pregando sobre Apocalipse 2:4, e discorrendo sobre o primeiro amor. Associando esse primeiro amor à igreja e à inocência de uma criança.
E no final disse que teologia faz com que as pessoas questionem e, enfim, ficam frias perdendo o primeiro amor. Não concordo com ele em nada do que pregou.

Primeiro ele usou um texto maravilhoso para cobrar fidelidade da igreja ao líder, e não à Palavra de Deus, como deve ser. Porque o homem pode errar, mas a Palavra de Deus permanece intacta. Segundo que os argumentos que ele usou para descrever esse primeiro amor foram em atitudes e obras focadas em si mesmo com a igreja, e não um compromisso com o Reino como deve ser.

E terceiro e mais importante para mim é que só fica frio quem não obtém respostas aos seus questionamentos. A semente da religiosidade está em nós. É ela que nos faz questionar quem somos, para que viemos, e para onde vamos. É ela que nos faz, em certo momento de nossas vidas, buscar respostas alem do natural. Em resumo, é essa semente de questionamentos que nos leva ao relacionamento com Deus. Mas para isso todos precisamos de respostas.

Lembro-me da Baby Consuelo dizendo em seu testemunho que ela procurava Deus em todos os lugares, todas as religiões. É mais ou menos isso! Uns são mais intensos, outros mais discretos. Mas todos nós buscamos respostas dentro de nós. E essas perguntas é que nos levam a vários caminhos, e nossos questionamentos nos fazem buscar o caminho correto, até que um dia: bum! Acabamos por encontrar O Caminho.

Por isso o problema não está nas questões, e sim nas respostas. No empenho que um líder tem para melhor responder, responder corretamente, chegar o mais próximo possível do que Cristo deseja que cheguemos. O problema não está no liderado que pergunta, mas no líder que não tem respostas. Perguntar é normal do ser humano, do liderado. Responder corretamente é o principal ministério de um líder.

O pregador disse: "hermenêutica faz você aprender um pouquinho da bíblia". A verdade é que a hermenêutica não faz você aprender um pouquinho da bíblia, e sim te ajuda a interpretar corretamente as escrituras. A entender contextos e figuras de linguagem, e tantos aspectos que são necessários para que não venhamos criar heresias, e ensinamentos errados, por uma má interpretação bíblica. Ela não é um instrumento de escolha, é sim, totalmente indispensável para um líder, um mestre, um pastor.

Assim, um líder que vê nos estudos um meio de obter respostas corretas, e assim não ficar apenas no “leitinho” com seus filhos; vai além, preparando um povo para Deus e não para si próprio, preocupado com o Reino e não apenas com a igreja local, que é fiel a Cristo e não a homens, mesmo que a primeira te leve automaticamente à segunda.
Um líder que busca conhecimento, entende que só através dele a igreja poderá crescer inabalável, pois buscará tudo dentro das Escrituras.

Para aquele pregador, eu, meu esposo, e meus atuais amigos, somos todos frios. Mas eu confesso que prefiro ser conceituada fria, mas continuar buscando dentro de mim a verdade, o crescimento, o conhecimento (que nunca se extingue), do que ser conceituada quente, mas não ter em mim a sede de buscar todas as preciosidades que a bíblia tem a nos oferecer. Prefiro ser conceituada fria e não aceitar o evangelho distorcido que hoje é pregado, do que ser enganada por falsos profetas e por “evangelhos” que tenho certeza que para Paulo seria anátema.


Agradeço a Deus, porque Ele tem nos conduzido aos estudos. Têm colocado em nossas vidas pessoas apaixonadas pela verdade bíblica. Por termos encontrado pessoas que não apenas respondem nossos questionamentos, mas que continuam buscando respostas através do conhecimento. Essa não foi uma reflexão, como normalmente venho fazendo. É um desabafo por não querer que as pessoas se calem.

domingo, 1 de novembro de 2009

Refletindo sobre o frio e o quente...

“Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no SENHOR; andai como filhos da luz. (Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); Aprovando o que é agradável ao Senhor.”
Efésios 5:8-10


Tenho refletido entre o frio e o quente. O que essas palavras significam para nossa atualidade cristã brasileira. E à conclusão que cheguei é que temos feito mau uso delas. Hoje nomeamos uma igreja “quente” quando a mesma tem manifestações de “línguas estranhas” em todos os cultos; e consequentemente nomeamos uma igreja “fria” quando esta não enfatiza este tipo de manifestação. Mas quando olhamos para nossos referenciais bíblicos (Jesus e os apóstolos) podemos fazer uma analise mais real dessas duas palavras.

Jesus teve um ministério totalmente ativo. Seu amor e empenho era para com os doentes e pecadores (Mc 2:17). Ele curava, restaurava, libertava. Amou cada ser de forma única e despendeu toda a Sua vida em favor de outras vidas. Os apóstolos viveram para edificar vidas, ensinar o evangelho de Cristo, e também faziam muitos milagres (livro de Atos). Tanto Jesus quanto os apóstolos, eram cheios do Espírito de Deus (creio que nenhum cristão discorda de mim nisso); e esse encher é que os conduziam em todas as suas ações. (Mc 13:11)

Pois bem. No nosso contexto brasileiro, as igrejas quentes tem cultos longos, com muitos louvores, muita liberdade de adoração, e muita “manifestação” do poder de Deus. Domingo após domingo, os fiéis se encontram e alcançam um nível de espiritualidade que eles nomeiam “novas alturas em Deus”. Porem, quando chega a segunda feira, vivem suas vidas normalmente, esperando pelo próximo domingo. Tudo o que experimentam de Deus serve para anima-los a comparecer no próximo culto.

Já as igrejas frias tem cultos com menor duração, louvores mais contidos e uma postura mais racional durante toda liturgia. Quase não há “manifestação” do poder de Deus. Porem são igrejas engajadas em missões urbanas e transculturais, evangelismos, ações sociais e casas de recuperação. São igrejas que se preocupam com o próximo e buscam viver um evangelho de ação, e não apenas de “manifestação”. O culto muitas vezes não é atrativo, mas a palavra é de confronto e incentivo a viver como Jesus nos ensinou.

Não estou aqui para dizer qual é certa ou qual é errada. Mas para refletir o que desejo para minha vida. Se desejo ser fria ou quente. E nem preciso dizer que o desejo mais profundo do meu coração é viver uma vida de “fervor” em Cristo, de total empenho àquilo que realmente importa para o meu Senhor. Quero o “fogo”, a liberdade de adoração, os níveis “mais altos” em Deus, muita manifestação de seu poder com milagres, curas, maravilhas e falar em línguas. Não me importo com cultos longos, pois amo cultuar aquele que é digno de toda honra, glória e poder.

Mas é também desejo profundo do meu coração ser cheia do Espírito, não apenas para falar em línguas, mas para agir como Jesus nos ensinou a agir. Quero adorá-lo em espírito, mas também quero adorá-lo em verdade, no meu dia a dia. Quero ser ousada para falar do Seu nome, quero alimentar os famintos, quero me importar com os perdidos. Não quero uma vida de presença de Deus apenas aos domingos. Não quero ministrar louvor hoje ao Senhor e amanhã usar a mesma boca para promover contenda em entre os irmãos, ou fazer fofocas.

Para mim poderíamos renomear as igrejas da seguinte forma: igrejas “quentes” são aquelas que procuram agradar o coração de Deus, não apenas com palavras, mas com ação. Que não se preocupem com ar condicionado e poltronas acolchoadas, pois não querem ficar apenas nos templos, mas ir ao campo que já está pronto para colheita. Que busque a face do Senhor no domingo, mas passe o resto da semana preocupado com o Reino de Deus e a Sua justiça.

São aquelas que tem visão de Reino e unidade. Que priorizam o amor e a disciplina do Senhor. Que pregam um evangelho verdadeiro, que exorta o mexeriqueiro. Que ama o próximo como a si mesmo. Que busca a vontade do Senhor não só para si mesmo, mas para este povo que está perdido e faminto. Que sonha os sonhos de Deus, que vive os mandamentos de Cristo, que trabalha não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna.

Então, assim, para mim, as igrejas “frias” são aquelas que só se preocupam com números e crescimento, em detrimento da qualidade e do individuo. Se preocupam com bens materiais e pregam um evangelho de prosperidade que não existe na bíblia. Que possuem departamento de empresários, mas não possuem um projeto social ativo. Não se preocupam com missões, camuflando essa parte com células ou grupos familiares. Que não investe no Reino e não buscam unidade.

Sendo assim, minha reflexão me leva a crer que não importa a liturgia do culto, não importa o tempo do culto, não importa o estilo musical que a igreja adota. Não importa se é costume da igreja, ou não, falar em línguas. Se a doutrina permite, ou não, bater palmas. O que importa é o que estamos fazendo com o evangelho de Cristo. O que importa é que Cristo seja pregado e anunciado. Que nossos bens sejam divididos, que nossa vida seja dedicada àquele que é digno de que entreguemos nossas vidas.

Que a igreja seja ensinada a viver um evangelho verdadeiro. Que aprenda o que é adorar em verdade. Que a soberania de Deus seja pregada, que os valores cristãos sejam resgatados. Que os princípios sejam vividos. Que os seminários fiquem lotados. Que o avivamento venha através da palavra. Que nossas almas sejam insatisfeitas. Que nossas vidas sejam dedicadas à única causa que realmente vale a pena: a mesma pela qual Cristo morreu e ressuscitou!

Não quero só a glória, quero o choro. Não quero só os milagres, quero limpar feridas. Não quero só receber de Deus, quero aprender a dar tudo o que tenho. Não quero só adora-lo quero alegrar Seu coração. Não quero apenas dizer que o amo. Quero amá-lo como me amou: dando minha vida em favor do Seu evangelho. Não digo que é fácil. Não digo que já faço isso. Não digo que algum dia conseguirei viver dessa forma. Mas posso afirmar que é o que mais tenho buscado. Não quero apenas refletir, quero agir!


“Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.”
Gálatas 5:14


No amor e na paz de Cristo,
Elizabete